A vida nos faz de morto
amado, encanto, encosto
entrelaça o esmiuçado
e devolve outra vez pra alma
como que tendo avisado
que como nos damos depressa:
urgência e curativo
me gasta, recomeça!
me torna o que só sou contigo!
Ferrenha: que voz é essa?
Reaja! -Sibila- Atiça!
Na vazante de um rio calado
me deito, ciente da cura
que no fundo do seu abraço
não sei como divisam seus olhos
estas cores de paisagem!
vísceras de amor que cintilam
ou nuances que ofuscam a verdade?
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Mea culpa
Reconheço: o post anterior (O mundo é bão) é bem babaca. Ficou uma coisa de achar que só do lado de lá que o mundo é bom. Na hora, só pensava em achar alguma lembrança livre das agruras últimas. Se é que não complica, acho que foi por força do vinho, meio associação livre. Depois me dei conta de que o blog ta meio com cara de facebook. Sorry. As vezes, minhas fantasias são deste nível.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Uma arte - Elisabeth Bishop
Tradução: Ricardo Cabús
(In: CABUS, Ricardo, Cacos Inconexos. Maceió: Instituto Lumeeiro, 2010)
A arte de perder não é difícil de dominar;
tantas coisas parecem cheias do intento
de ser perdida que sua perda não é um desastre.
Perca alguma coisa todo dia. Aceite a perturbação
de perder as chaves da porta, a hora gasta inadequadamente.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Então pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares e nomes e para onde você queria
viajar. Nada disso será um desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. E veja! Minha última, ou
quase-última, de três casas queridas se foram.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Perdi duas amáveis cidades. E, mais vasto,
alguns reinos que possuía, dois rios, um continente.
Eu sinto falta deles, mas não foi um desastre.
– Mesmo perdendo você (a voz brincalhona, um gesto
que amo) eu não deveria ter mentido. É claro que
a arte de perder não é tão difícil de dominar
embora possa parecer como (escreva isto!) como um desastre.
(In: CABUS, Ricardo, Cacos Inconexos. Maceió: Instituto Lumeeiro, 2010)
A arte de perder não é difícil de dominar;
tantas coisas parecem cheias do intento
de ser perdida que sua perda não é um desastre.
Perca alguma coisa todo dia. Aceite a perturbação
de perder as chaves da porta, a hora gasta inadequadamente.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Então pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares e nomes e para onde você queria
viajar. Nada disso será um desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. E veja! Minha última, ou
quase-última, de três casas queridas se foram.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Perdi duas amáveis cidades. E, mais vasto,
alguns reinos que possuía, dois rios, um continente.
Eu sinto falta deles, mas não foi um desastre.
– Mesmo perdendo você (a voz brincalhona, um gesto
que amo) eu não deveria ter mentido. É claro que
a arte de perder não é tão difícil de dominar
embora possa parecer como (escreva isto!) como um desastre.
sábado, 20 de novembro de 2010
sambadinha
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Eu versus trinta e dois
Trinta e dois moradores de rua assassinados este ano em Maceió. Nada foi feito. E nada que tenho feito, pensado ou vivido merece mais minha atenção do que isto. Os que ainda permanecem nas ruas dormem durante o dia ou em cima de árvores com medo das balas cuspidas por carros noturnos. A crise nos blogs é nada. As aflições estudantis são apenas pedra rolando, vidas compradas ou herdadas. Não há sentido nas reuniões, nas tapiocas, nas bancas, no mar turquesa, no aeroporto, muito menos nesse banzo e no disjuntor queimado.Tento não deixar que as mensagens no celular me façam esquecer que trinta pessoas indefesas foram mortas na cidade em que quase vivo.
O azul desse blog me parece patético, agora.
O azul desse blog me parece patético, agora.
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