segunda-feira, 2 de maio de 2011

Rosebud




Hoje fui ver Cidadão Kane no cinema. Não, não estou em São Paulo, estou em Maceió mesmo. Saio de casa e, em cinco minutos estou com o ingresso do filme na mão, num cinema de arte (Agradeço a Deus por o longe de casa ser tão perto do cinema). Cidadão Kane. Nem lembro quantas vezes tentei ver esse filme até o fim. Já me sentei na frente da TV algumas vezes com essa disposição, mas nunca conseguia reunir concentração suficiente. O preto e branco na telinha, os outros canais da TV a cabo e todo aquele noticiário no início do filme... muito desafio. Hoje, diante da telona, de mãos quase dadas com a platéia de jovens e velhos cinéfilos, juntos na empreitada de saber o significado de Rosebud. Adorei. Fiquei encantada com a fotografia e com a narrativa não-linear. Uma aula. E, olhe, não há lugar melhor do que uma sala de cinema. Lá, eu me sinto a vontade pra dizer: há, sim, paraíso sem perder o juízo e sem morrer.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Para Larrosa

barulho da chuva. riscos verticais de semitransparência, enquanto se entrega ao processo de ser apenas por enquanto. de reescrever-se nesse dia que é apenas ontem. A chuva é a única testemunha porque é de gotas como ela - são por um agora. logo reconhece que quer é essa potência: guardar futuros de chuva-mistério.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O mundo é tão maior do que hoje, baby, o mundo é tão... A vida é muito mais rápida que o tempo, darling, a vida é muito! E você, você é bem mais forte do que parece, meu amor, você é bem mais.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Foto: Giselly Lima

E um dia tudo


é velho. uma manhã


e o mesmo envelhecer:


a luz a brisa o roncar distante


de outras vidas


Minha velha presença.


Nada desperta o novo. nenhum


nascimento ou morte. nada


se inaugura ou se despede


por aqui apenas


a roda


para um lado


ou para o outro.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dúvida - Isadora Lima

A vida nos faz de morto
amado, encanto, encosto
entrelaça o esmiuçado
e devolve outra vez pra alma
como que tendo avisado

que como nos damos depressa:
urgência e curativo
me gasta, recomeça!
me torna o que só sou contigo!

Ferrenha: que voz é essa?
Reaja! -Sibila- Atiça!
Na vazante de um rio calado
me deito, ciente da cura
que no fundo do seu abraço

não sei como divisam seus olhos
estas cores de paisagem!
vísceras de amor que cintilam

ou nuances que ofuscam a verdade?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Desacelerando o mundo com um poema





Fotos: Beatriz Galrão





Lícia Beltrão e Martha Galrão espalhando a idéia dos sussurradores de poesia no Pró-infantil. Beleza! O desejo é que os professores repitam a experiência nas suas escolas. Tomara!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mea culpa

Reconheço: o post anterior (O mundo é bão) é bem babaca. Ficou uma coisa de achar que só do lado de lá que o mundo é bom. Na hora, só pensava em achar alguma lembrança livre das agruras últimas. Se é que não complica, acho que foi por força do vinho, meio associação livre. Depois me dei conta de que o blog ta meio com cara de facebook. Sorry. As vezes, minhas fantasias são deste nível.