Se sei o que acontece depois das palavras?
Não sei. Nem sei se isto há! Afinal tudo não é, de alguma forma, palavra - ainda gesto, ainda olho, ainda as voltas do coração - e todos os seus depois?
Como pode isto, ou qualquer outro estalo do universo, sem que se nomeiem?
Se não é dito, não há, simplesmente. Essa pré-existência à palavra é nada. O início não é o verbo? Não é lá que as coisas ganham miserável ou feliz existência? Também isto!
Se deixam de haver palavras, isto que me interrogas já não existe. Como agora, com esse silêncio em volta. Agora só existo eu e essa espera estranha.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
exercício
Sobre a distância ele podia falar quase tudo, menos da impossibilidade. Duvidava dessa palavra definitiva, entendia o mundo como um escancarado devir. Por isso foi, já acostumado a tanto ir, a tanto andar. Trazia todo o princípio consigo, mas viveria apenas de continuidades agora. Nada de recomeços, porque não era de esquecer. Também não era de lembrar; era todo memória levada no corpo, das manhãs às noites, como uma informação processando em default. Também não colocava nada ali no vazio que o sustentava. Só permitir tudo o que foi e o que virá. Um homem sem medos.
Encontrou entre cinza e fumaça, vermelhos vibrantes e amarelos pálidos. Cobriu-se de azul e cuspiu tons de terra e cobre. Viveu. Apenas indo para frente. Até encontrar a palavra encantadora: ininteligível, indecifrvel, quente, enviada - na verdade, devolvida - diretamente pro centro de sua alma vagante. Sem direção, deu uma volta em torno do próprio vazio. Paralisado, resolveu obecer a ordem daquela nova loucura. Soube-se aprisionado por uma linguagem estranha, um código sem silêncios. Pela primeira vez, considerou que ir era fugir. E desejou.
Encontrou entre cinza e fumaça, vermelhos vibrantes e amarelos pálidos. Cobriu-se de azul e cuspiu tons de terra e cobre. Viveu. Apenas indo para frente. Até encontrar a palavra encantadora: ininteligível, indecifrvel, quente, enviada - na verdade, devolvida - diretamente pro centro de sua alma vagante. Sem direção, deu uma volta em torno do próprio vazio. Paralisado, resolveu obecer a ordem daquela nova loucura. Soube-se aprisionado por uma linguagem estranha, um código sem silêncios. Pela primeira vez, considerou que ir era fugir. E desejou.
domingo, 21 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Pequena teoria do beijo
O beijo é, na economia do mundo, do corpo ou da imaginação, coisa poderosa. Marco sensorial da contabilidade dos dias leves e dos estratagemas bélicos, é um roçar de lingua na vida, pungente ou morno. O beijo é um devorar macio do outro, de quem nos alimentamos para suportar os dias de solidão e mastigação saudável. O beijo é a recusa da racionalidade prática aplicada à rotina da boca - uma completa indiferença ante a composição bioquímica e biográfica da saliva. O beijo é um ato rebelde - das causas mínimas e máximas: se opõe ao conservadorismo dos corpos estáveis. Beija, quem quer pular de si para o abismo do outro. Beija, quem quer salvar-se da monotonia da alma intáctil. Beijam-se, línguas curiosas, lábios receptivos e corpos silenciosos. Muitas vezes, beijam-se, apenas, os corpos. O beijo resiste expondo o amor a pequenos testes sem comprová-lo. Apesar de sua breve duração, ilude os amantes com lampejos de imortalidade.
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