Há mais ou menos duas semanas, lendo os comentários dos leitores do Calligaris, fui surpreendida pela crítica de um deles que reclamava do fato de o colunista abordar um tema (salvo engano, era "regras de etiqueta") a partir de livros e filmes, e que isto era recorrer a 'muletas' por faltar-lhe recursos de escrita e assunto. Eu, de cá, reconheci de imediato minha escrita manca, pois, na maioria das vezes, é esse tipo de coisa sem grande importância que me provoca a escrever. Ademais, são-me indispensáveis as leituras que faço para então arriscar uma resposta ao mundo. A verdade é que sem a experiência da arte, não conseguiria interpretar a vida ou falar sobre ela. Mas ainda há outros motivos. Escrevo sobre assuntos assim mais distanciados por causa de uma certa reserva e também por uma total falta de interesse literário pela minha própria vida. De todo jeito, assumo também que sofro sim, sofro, de uma falta de assunto crônica.
A não ser em situações em que a vida sai do prumo, períodos que me rendem uma poesia de literariedade rarefeita, lacônica e sem qualidade alguma, estou sempre a falar de livros, filmes e de um passado remoto.
Hoje, algo me provoca a falar de coisas mais urgentes, ainda que imprecisas.Venho comentar com alguma reflexão o uso frequente que tenho feito da expressão: "Como se fosse fácil..."
Em diferentes entoações, com pausas e timbres que variam conforme a preguiça, impotência, desconfiança, egoismo, falta de fé... A razão desta expressão que se repete, sem dizer sempre o mesmo, é que tenho achado tudo muito difícil de realizar,enquanto as pessoas ao meu redor estão sempre muito dispostas a falar de soluções para os dilemas humanos de uma forma que, tenho a impressão, não estão de fato a considerar que somos apenas isto, humanos.
Pra mim não é fácil dizer não nem sim; não é fácil fazer o que não gosto nem lutar pelo que gosto; não é fácil esquecer o que me magoou nem lembrar do que magoou demais; não é fácil passar por cima dos obstáculos impostos pelo sadismo social dos outros, muito menos responder a eles a altura (e isto inclui toda classe de problemas contemporâneos em relação ao trabalho, ao corpo e ao espírito). Pois. O problema é que tem sido fácil demais encontrar conselhos gratuitos e em profusão e, às vezes, me pego nessa armadilha de me cobrar atitudes que me levariam direto pra saída. Como se fosse fácil...
Felizmente, sempre tem gente andando na contra-mão. E uma amiga, a quem admiro pela agudeza de sua percepção, postou no Facebook, ontem, acho, uma frase do Itamar Assunção que me diz muito: "Não há saídas/ Só ruas viadutos e avenidas."
Desconfio, como o Negro Dito, que não há libertação, só os desvios que construímos. Volta que damos para ver a coisa de outra posição. Entre vacilos, movimentos em falso, a esmo ou calculados, vamos acreditando num ponto de chegada. Mas é nesse "acreditando" aí, nesse gerúndio, que vamos saindo, porém sem chegar a lugar algum.
Lamento se não fui muito além do que costumo. Ainda estou tentando escrever sem citar, sem recorrer a outras leituras, sem me expor demais e, ainda assim, escrever... Como se fosse possível...
terça-feira, 5 de março de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Com vontade de saber o que a literatura digital tem a oferecer por aí, andei pesquisando os livros gratuitos do Amazon e acabei baixando um livro surpreendente: Cartas D'amor de Eça de Queiroz. A breve história de uma paixão de um homem por uma mulher que, na minha opinião, vale a leitura pela última carta, quando este homem descobre que a paixão acabou e termina tudo. Uma verdadeira aula de como terminar uma história de amor, se é que essas histórias acabam por vontade.
A verdade é que adoro cartas! De amor, então...
É engraçado falar disso em tempos de Facebook, mas eu namorei via correio analógico (... e telefonemas, claro!) um ano e meio antes de me casar. Assim, não há como negar que tenho rabo preso com a questão.
Deixo aqui, então, duas dicas: Griffin e Sabine (veja o vídeo), uma trilogia ilustrada e construída através de cartas e postais trocados entre dois personagens envolvidos em um mistério (de amor?) e as Cartas D'Amor de que falei. Esta última fácil de baixar, mas o primeiro está esgotado. Quem souber como adquirir me fale que também quero.
A verdade é que adoro cartas! De amor, então...
É engraçado falar disso em tempos de Facebook, mas eu namorei via correio analógico (... e telefonemas, claro!) um ano e meio antes de me casar. Assim, não há como negar que tenho rabo preso com a questão.
Deixo aqui, então, duas dicas: Griffin e Sabine (veja o vídeo), uma trilogia ilustrada e construída através de cartas e postais trocados entre dois personagens envolvidos em um mistério (de amor?) e as Cartas D'Amor de que falei. Esta última fácil de baixar, mas o primeiro está esgotado. Quem souber como adquirir me fale que também quero.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Ma ternidade.
Uma palavra se parte.
Assombro!
Valha-me alguma senhora!
Seja capaz de emendá-la,
peço! Imploro!
Não vê meu desespero?
Não vê?
Eu andava tão ajeitadinha, montada na tal palavra.
Costurei tantos dias sobre a barriga.
E depois sobre o berço e os deveres de casa.
Criei peito e leite. Amaciei os braços. Orei as noites.
Agora nada disso serve de cola, de alinhavo.
Algo que está além das portas de minha casa
quebrou a palavra, azedou meu leite e me deixou cair os braços.
Algo urdido pelo tempo, esse terrível inimigo.
Um sentido novo, um novo rumo para isso eu quero!
Um sentido novo, um novo rumo para isso eu quero!
Só não me deixe a palavra partida!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
domingo, 9 de dezembro de 2012
Corta os cabelos
pinta o corpo
reescreve seu nascimento
e projeta seus últimos dias
com a ponta dos dedos
Delicadamente aborrece
certezas
Compara os dias e as
noites - quer ver de perto o flerte
sutil e eterno.
Esbraveja quando se põem cortinas
sobre este silencioso espetáculo.
Não quer menos que isto, testemunhar
o amor entre a luz e a sombra.
pinta o corpo
reescreve seu nascimento
e projeta seus últimos dias
com a ponta dos dedos
Delicadamente aborrece
certezas
Compara os dias e as
noites - quer ver de perto o flerte
sutil e eterno.
Esbraveja quando se põem cortinas
sobre este silencioso espetáculo.
Não quer menos que isto, testemunhar
o amor entre a luz e a sombra.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
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