domingo, 17 de fevereiro de 2013

Com vontade de saber o que a literatura digital tem a oferecer por aí, andei pesquisando os livros gratuitos do Amazon e acabei baixando um livro surpreendente: Cartas D'amor de Eça de Queiroz. A breve história de uma paixão de um homem por uma  mulher que, na minha opinião, vale a leitura pela última carta, quando este homem descobre que a paixão acabou e termina tudo.  Uma verdadeira aula de como terminar uma história de amor, se é que essas histórias acabam por vontade.
A verdade é que adoro cartas! De amor, então...
É engraçado falar disso em tempos de Facebook, mas eu namorei via correio analógico (... e telefonemas, claro!) um ano e meio antes de me casar. Assim, não há como negar que tenho rabo preso com a questão.

Deixo aqui, então, duas dicas: Griffin e Sabine (veja o vídeo), uma trilogia ilustrada e construída através de cartas e postais trocados entre dois personagens envolvidos em um mistério (de amor?) e as Cartas D'Amor de que falei. Esta última fácil de baixar, mas o primeiro está esgotado. Quem souber como adquirir me fale que também quero.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ma ternidade.

Uma palavra se parte.
Assombro!
Valha-me alguma senhora!
Seja capaz de emendá-la,
peço! Imploro!
Não vê meu desespero?
Não vê?
Eu andava tão ajeitadinha, montada na tal palavra.
Costurei tantos dias sobre a barriga.
E depois sobre o berço e os deveres de casa.
Criei peito e leite. Amaciei os braços. Orei as noites.
Agora nada disso serve de cola, de alinhavo.
Algo que está além das portas de minha casa
quebrou a palavra, azedou meu leite e me deixou cair os braços.
Algo urdido pelo tempo, esse terrível inimigo.
Um sentido novo, um novo rumo para isso eu quero!
Só não me deixe a palavra partida! 



domingo, 9 de dezembro de 2012

Corta os cabelos
pinta o corpo
reescreve seu nascimento
e projeta seus últimos dias
com a ponta dos dedos

Delicadamente aborrece
certezas
Compara os dias e as
noites - quer ver de perto o flerte
sutil e eterno.
Esbraveja quando se põem cortinas
sobre este silencioso espetáculo.
Não quer menos que isto, testemunhar
o amor entre a luz e a sombra.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Nem escalou os muros dos dias
e pastoreia palavras
Ajunta-as
ou dispersa-as conforme ameaça
ou sorte
Apressa e conduz seus corpos pretos
sob um comando doce.

Confia - demais-  no andar das palavras
sem pagar tributo ao tempo
Ele que é
rei soberano
das impossibilidades.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vamos lá,
permaneça sentada,
não se mova!
Está tudo bem
assim de cabeça pra baixo.
Nem se preocupe
com as cadeiras voando.
Daqui a pouco se acostuma
ou se acomodam.
O mundo é mesmo essa coisinha
cheia de vãos e montanhas.
Já subiu, já desceu, agora se
aquiete na sua corda bamba.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Asa

palavra deitando horizonte além da muralha

invisível contorno da pele quente.
                                         
dia que se abre
por entre os flancos
da rotina,
              amarelo.